terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Previdência Privada: Os custos e a rentabilidade dos planos

Em 24/01/2011, foi publicada uma matéria no caderno EU & Investimentos do jornal Valor Econômico falando a respeito da rentabilidade dos planos de previdência aberta, os chamados PGBL’s e VGBL’s.

A matéria chama a atenção já em seu título: “Previdência magra: Estudo mostra que rentabilidade média dos fundos PGBL e VGBL no ano passado ficou abaixo do CDI sob o peso das taxas de administração dos planos”, escrito por Antonio Perez.

O mercado brasileiro de fundos, sejam eles previdenciários ou não, ainda cobram taxas de administração muito altas. Isso faz com que a rentabilidade desses fundos fiquem bem abaixo de seus índices de referência, no caso vamos discutir os fundos previdenciários de Renda Fixa, que têm o CDI como principal referencia.

Isso é mostrado logo no primeiro parágrafo da matéria, onde Perez diz: “O ano de 2010 foi de contrastes para os fundos de previdência aberta (PGBL e VGBL). Do lado dos bancos e seguradoras, sobraram motivos para comemoração, já que o patrimônio líquido (PL) do setor atingiu R$ 181,9 bilhões, crescimento de 24,89% em relação a 2009. Já os investidores não têm lá muito o que comemorar. A rentabilidade dos fundos de renda fixa e multimercados sem renda variável foi magrinha, em média 8,47% e 8,21%, respectivamente, perdendo do CDI do período, de 9,75%.”

Aqui estamos falando que os fundos de renda fixa têm “rodado” a 86,9% do CDI e os multimercados sem renda variável, apenas 84,2%. Muito pouco para um fundo que cobra taxas de administração na casa dos 2% e possue uma gestão passiva do patrimônio, ou seja, essas carteiras possuem poucas trocas de aplicações, mantendo títulos de médio e longo prazos.

Uma taxa de administração nesse patamar seria justificada para investimentos com gestão ativa, como destaca Perez: "Um ponto que merece atenção do poupador é a qualidade da gestão das carteiras. Os fundos de previdência são, por natureza, mais conservadores, o que se traduz na preferência por uma gestão passiva. Ou seja, o gestor não altera muito a carteira de investimentos do plano. (...) Com isso, o gestor não se aproveita das alterações nos preços dos títulos ao longo do tempo. Essa estratégia seria justificada em caso de taxas de administração baixas, algo longe da realidade do mercado de previdência privada.

A principal dúvida dos consumidores de produtos de investimentos é: Como faço para diminuir esses custos? Estou refém dos bancos e das seguradoras?

A resposta é mais simples do que imaginamos e é bem animadora. Poucos conhecem o programa Tesouro Direto do Tesouro Nacional. Trata-se de uma plataforma de negociação de títulos públicos federais que está no ar desde janeiro de 2002. Nessa plataforma você, pessoa física comum, pode adquirir os mesmos títulos que compõem as carteiras desses fundos.

Mas, quais as vantagens de comprar diretamente os títulos? A principal vantagem é a redução de custos operacionais. Por exemplo, na Indusval Multistock, a taxa de custódia para os títulos públicos adquiridos via Tesouro Direto é de apenas 0,25% ao ano. Os outros custos envolvidos nessa negociação são 0,10% de taxa de aquisição mais 0,30% ao ano, ambas pagas para a CBLC (Cia. Brasileira de Liquida e Custódia).

Outra vantagem que esse programa lhe proporcionará é a possibilidade de fazer a sua própria gestão de acordo com seus objetivos. Um dado muito importante sobre o mercado de previdência privada é que, a maioria dos investidores deste tipo de produto não buscam a renda que o plano vai lhe proporcionar no final do plano, e sim projetos de médio prazo, como compra de casa, montar um negócio próprio, intercambio, entre outros. O fato de não ter o famoso “come cotas” dos fundos de investimentos não previdenciários, os VGBL’s são vistos como formas de investimentos e não como plano de previdência, algo totalmente equivocado pelo fato de existirem no mercado investimentos ideais para cada projeto pessoal.

Uma observação muito importante é de que 95% dos participantes de planos de previdência não transformarão seu saldo de conta em renda no final do plano. O principal argumento dessas pessoas é que não viverão tanto quanto a tabua atuarial sugere em seus cálculos, no caso, essa tábua leva em consideração que os indivíduos viverão, em média, até os 102 anos, algo bem conservador para as seguradoras e bancos, que diluirão seu benefício em muitos anos fazendo com que a renda seja menor.

A única forma da população contribuir para a redução das taxas de administração nos fundos (seja previdenciário ou não) é pesquisar todas as formas existentes no mercado. A partir do momento em que esses fundos tiverem mais concorrência, certamente as taxas se reduzirão. Uma outra forma já foi muito discutida no mercado, como redução do spread bancário e diminuição da inadimplência, mas só isso não é suficiente.

Aplicar diretamente nos ativos nos faz participar mais ativamente de nossa vida financeira, além de ter a exata noção de onde está o dinheiro, e não simplesmente dizer que “meu dinheiro está em um fundo de investimentos”. Quando se pergunta onde o fundo aplica seu dinheiro, certamente, a maioria das pessoas não sabem!

Um comentário:

  1. Grande Emerson Kolarevic, gostei muito do teu artigo aqui sobre esta ilusão que as pessoas tem quanto a “estar investindo” o seu dinheiro quando na verdade estão sustentando administradores/as de fundos com as suas altas taxas que de forma alguma visam a rentabilidade dos seus clientes. Claro que não estou generalizando e dizendo que fundos de investimentos sejam um mal negócio, estou me referindo ao investidor em si, como assessor de investimentos vejo nas minhas palestras e cursos o quanto as pessoas não tem conhecimento sobre o assunto investimentos e, como é fácil uma pessoa se deslumbrar.
    Sempre friso e persisto na idéia de que como cidadãos, como parte da economia ativa do nosso pais devemos deixar de ser passivos quando falamos dos nossos investimentos, dos nossos planos de aposentadoria. Devemos assumir as rédeas das nossas finanças e começar a questionar se estamos colocando o nosso dinheiro no lugar certo.
    Tesouro Direto é uma das formas das pessoas começarem a tomar parte dos seus investimentos, interagir com o que é comprar um título, pesquisar qual deles é melhor para o seu perfil, etc.
    Fico me perguntando se as pessoas nunca se questionam sobre o por que o Governo disponibilizou o portal do Tesouro Direto, será que não percebemos que está ai mais uma oportunidade de exercer a nossa liberdade?
    Temos um investimento relativamente seguro, com rendimentos bons e além da vantagem de ser totalmente livre para decidir, para escolher qual título é o melhor para nós, temos a vantagem de diminuir os custos de investimentos.
    Espero que este seja o primeiro de muitos outros artigos com a mesma ou superior qualidade com que este foi feito.
    Parabéns pela iniciativa e como costumamos dizer, rumo ao topo meu caro.

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